terça-feira, 3 de novembro de 2020

O que vale a pena carregar

Sempre tive muita dificuldade de esquecer. Introspectiva, converso muito com meus próprios pensamentos. Tento organizá-los, entendê-los. Mas muitas vezes é difícil para mim esquecer as ofensas que recebi. Ouvi há um tempo atrás uma jornalista e escritora que acompanho dizer que ela e o marido evitam qualquer tipo de irritação. Buscam o diálogo porque entendem que a vida é curta demais para se perder com ofensas, ciúmes ou brigas desnecessárias. Aquilo fez sentido para mim, mas não consegui aplicar à minha realidade. Convivo com pessoas sanguíneas, em várias esferas da minha vida. Lidar com a explosão delas nunca foi fácil para mim, especialmente porque tenho uma personalidade oposta: sou lenta para me alterar, assim como para esquecer.

Há alguns meses, no meio da pandemia que ainda vivemos, li um texto que mudou minha forma de enxergar isso tudo. O texto falava sobre aceitação, compreensão e tempo. Sobre como a vida, ou melhor, a morte, nos obriga despedidas. E até lá, como gastamos o nosso tempo com essas pessoas que amamos e que nos ferem? A forma como enxergo e sinto o mundo não é a mesma que a dessas pessoas. Passamos por processos diferentes, sentimentos diferentes. Estamos em estágios diferentes. Mas o mais importante mesmo é que, aquilo que eu não posso mudar, preciso escolher não carregar. Se não consigo mudar a forma do outro de impor sua vontade, complicar as coisas, ser pessimista ou olhar para os defeitos sempre, posso escolher não carregar mais isso. Posso escolher ouvir as palavras e não deixá-las entrar no meu coração, e muito menos guiá-lo. Por quê? Porque a vida é uma questão de tempo. E mais importante do que o tempo que temos, é a forma como escolhemos usá-lo. Não quero mais usá-lo com o que não me acrescenta. Escolho encher a mente com o que é bom. Se Cristo é perdão, guardar mágoas me torna o oposto do que ele é. 

De todas as palavras que ouço, posicionamentos que vejo e exemplos que se apresentam, agora escolho passá-los pelo crivo de Cristo. É o que ele falaria de mim? É o posicionamento que ele teria comigo? É o exemplo que ele gostaria que eu seguisse? Se a resposta for não, respiro fundo, organizo meus sentimentos e os faço ir. Escolho não carregar mais aquilo que não é vida. E nesse caminho que tenho escolhido seguir, vejo a importância do silêncio, porque é nele que crescemos. Não preciso gritar minha opinião aos quatro ventos se já sei o que penso. Muitas vezes a paz vale mais que a razão. O respeito vale mais do que vencer a discussão. Não controlo as palavras que o outro profere, mas controlo o que faço ao ouvi-las.

E sigo trabalhando. E sigo aprendendo. Porque de tudo o que devemos deixar para trás, o peso das mágoas e da aprovação das pessoas é o principal. E tenho acreditado que a vida, se bem vivida, não é curta nem longa. E a felicidade é uma questão de escolher o que vale a pena carregar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Tempo de espera

Imagem da internet.
Imagem da Internet. 


 

Esse ano fez nossos dias, planos e tempo virarem de cabeça para baixo! Já estamos há quase seis meses em isolamento, embora nem todos o tenham respeitado. Eu entendo que esperar, em qualquer área da nossa vida, pode ser muito difícil, porque nos mostra que não estamos no controle. Mas o problema é que a precipitação e busca por atalhos muitas vezes nos levam a lugares perigosos. Tão importante quanto saber onde se quer chegar é saber esperar o tempo certo de caminhar e de descansar. É impossível nunca cometer qualquer erro, mas podemos evitar muitos deles observando os erros cometidos pelos outros também. A experiência ensina, mas pode ser uma professora muito cruel. Muitas vezes nos machucamos e passamos por situações que não precisávamos passar. E assim como esse isolamento é desconfortável, mas necessário, esperar em Deus também pode muitas vezes não ser "cor de rosa", mas é muito mais seguro. E na hora certa conseguiremos enxergar como vale a pena descansar e confiar no Criador de todas as coisas. Entender a necessidade do tempo de espera é mais do que sobrevivência: é sabedoria!

"Em ti confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, Senhor, jamais desampara os que te buscam." (Salmo 9:10)


domingo, 1 de dezembro de 2019

O início do fim (do ano)

Todos os anos falamos o quanto o tempo passa rápido. E de fato, passa. Nos últimos anos sempre tive aquela sensação de que a vida escorria entre meus dedos, enquanto eu tentava equilibrar todo o meu mundo sem demonstrar o tamanho da impaciência e do desespero que me tomavam. Este ano, porém, pela primeira vez em muito tempo,  me gerou gratidão. De fato, sequer vislumbro muito do que desejo. Mas ainda assim, meu peito se enche de paz. De uma sensação de esperança pelo que ainda me espera. Sem pensar no quanto ou como, mas simplesmente confiando que o meu Deus está lá. Assim como está aqui e esteve antes.

2019 começa a se despedir. O último mês já dá as caras. Começa o fim, os últimos ajustes, as últimas provas e os novos planos para o ciclo que reinicia.
Li há um tempo a seguinte frase: "Você passa todos os anos pelo dia da sua morte, sem nem suspeitar qual ele é."
Pode parecer óbvio, mas você já pensou a respeito? Todos os dias caminhamos para o momento em que estaremos face a face diante do Criador de todas as coisas. Estamos cada vez mais perto, mas esquecemos disso. A vida é tão curta pra nós preocuparmos com tantas coisas.

De tudo o que os 31 dias nos trouxerem, o que mais desejo é uma: um coração sábio para viver a vida de forma grande, como grande é Aquele que a deu a mim. E que nenhum de nós tenha medo de olhar pra frente. Ele é capaz de fazer novas todas as coisas.

Que estes dias nos deem um fim bonito. E os começos e recomeços, ainda mais.
Porque Deus tem me ensinado que para cada ponto final, Ele pode iniciar um novo capítulo. Mas precisamos deixar a caneta nas mãos dEle. E confiar. Afinal, Ele é o maior autor que nossa história poderia ter.

2019, um belo fim pra você. Porque o realmente importa é como você termina. Termine bem.