segunda-feira, 10 de setembro de 2018

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Na noite de ontem iniciou-se a comemoração do "ano novo judaico", o Rosh Hashaná. Tenho um certo carinho pelas comemorações judaicas por ser cristã e minha fé ter origem no povo judeu. Esse dia marca também o início de um período de instrospecção e meditação, que termina no primeiro dia do Yom Kipur, o dia do perdão.

Sempre fui bastante instrospectiva, e sempre pensei muito sobre os começos. Acho que de tempos em tempos é essencial a gente se avaliar, se arrepender, pedir perdão e também se perdoar. Olhar para as coisas que estão adiante. Se livrar de pesos desnecessários.

Ontem também iniciei um novo ano. O meu vigésimo sexto. Mais uma volta completa em torno do Sol. E cada vez mais sem aquele peso do que falta, mas com a consciência da suficiência do que, na verdade, sempre tive. Aniversários são marcos, mas a vida acontece todo dia.

Sou tímida para festas, mas grata pelos telefonemas, abraços, orações, mensagens e pela surpresa de pessoas especiais da minha igreja. Grata pelo carinho não só de ontem, mas de todos os dias.

Shana tová! (Bom ano!) Porque em Cristo há coisas melhores adiante do que qualquer outra que deixamos para trás.

Hoje, no primeiro dia do meu novo ano, saí para caminhar por uma hora e registrei o primeiro pôr do sol.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Sobre a opinião dos outros

Faz um tempo que tenho refletido sobre a importância que damos às opiniões dos outros. Especialmente nesses tempos de redes sociais. Posta-se fotos pensando em ganhar likes, elogios. Se filtra o que não dá "ibope" e só se coloca o que causa algum tipo de admiração ou até inveja.  Mas acho que o que mais afeta, de fato, são as opiniões descarregadas sem o pedido de ninguém.

Questiona-se o curso que você escolhe na faculdade, a forma com que se veste, vive a dinâmica do seu casamento, cria os filhos, vive sua fé. Se você come carne ou não, se tem amizades dentro e fora do circulo da sua fé. Há opiniões sobre seus relacionamentos, sobre a falta deles, sobre o estilo de vida que você quer ter e sobre qualquer outra escolha que faça.

Mas uma coisa que tenho aprendido é que a opinião dos outros, é opinião DOS OUTROS, não minha. Mesmo que essa opinião seja a meu respeito.

Não viver em função e nem se deixar afetar por aquilo que os outros pensam não tem nada a ver com arrogância. O ponto é saber ouvir as opiniões e tentar compreender se elas merecem ou não que gastemos energia pensando nelas. Será que quem deu essa opinião realmente é alguém com quem você pode contar para caminhar com você, para viver ou te ajudar com as consequências das suas escolhas? Se a resposta for "não", por que se deixar afetar ou fazer escolhas que não quer só para atender às expectativas?

Viver é algo que ninguém pode fazer por você. Da mesma forma, você não pode viver por ninguém.

Aprendi na faculdade a amar as rodas de discussões saudáveis. Até hoje amo ler blogs e artigos sobre diversos assuntos que eu conheço ou desconheço. Esse hábito, combinado com as conversas com minha psicóloga, tem me ajudado a abrir os olhos para minha própria arrogância também. Afinal, muitas vezes a gente pode ser a pessoa do outro lado.

Ouvir opiniões, abrir a cabeça para mudar as suas, mas nunca esquecer de que só você é responsável por suas escolhas. Seja gentil com os outros, mas seja gentil com você mesmo também.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Sobre chuva e algumas memórias

E choveu. Por uma semana. Refrescou o ar, a terra e os nossos pulmões.
Tivemos mais alguns dias de Sol e agora o céu alterna entre dias nublados e ensolarados. Frio e calor. Chuva e estio. Nessa oscilação, estou gripada pela segunda vez. Mas do clima, não dá para reclamar.
Hoje faz um sol bonito lá fora, mas minha cabeça viaja para um dia mais cinza.

Sentada na cama enquanto pensava na vida e corrigia um texto para uma amiga, me lembrei de uma cena. Eu estava no carro de alguém, na cidade onde morei até meus 18 anos, mas na cena, acho que eu tinha uns 12. Lembro do carro parado em uma rua perto da casa da minha tia. Provavelmente eu estava de carona após participar de algum almoço em família ou algo assim. Mas meus olhos observavam uma casa. Era um sobrado um pouco inacabado, aparentemente abandonado. Haviam ramificações em suas paredes e o telhado estava escuro. O quintal, coberto por um mato curto. Eu fiquei ali observando aquela casa bonita e vazia. Sem muito esforço, ela poderia ser um lugar aconchegante. Mas naquele momento, era só ela. Entre as plantas, mas sozinha. Sendo observada por uma menina através do vidro de um carro. Naquele dia caía uma chuva leve e constante, o que dava uma certa calma à solidão daquela casa. Hoje, por algum motivo, me vi assim. Com uma serenidade um tanto solitária. Ou uma solidão serena, não sou muito boa com definições.

Respiro fundo, enchendo os pulmões de ar. Um gole de água para tentar amenizar a rouquidão, e minha memória passa a caminhar em outras cenas, outras cores.
É engraçado como momentos tão simples, aparentemente esquecidos, estão arraigados a sentimentos peculiares. E basta esses sentimentos permearem de novo o coração para a mente nos lembrar desses curtos e reflexivos minutos da nossa história.

Não sei qual o nome daquela rua, mas sei que eu lembraria daquela casa se a visse de novo. Talvez hoje, observando a casa, eu me veja. Uma casa sozinha em construção. Uma chuva leve. Um pouco de silêncio.

Mas agora, registro aqui essa memória. Guardo no bolso essa tal solidão serena (ou serenidade solitária, não sei), e volto o pensamento para o presente. O dia que já se torna amarelado pelo Sol que em breve começa a descer. Amarro o cabelo, arregaço as mangas. O que falta em ânimo sobra em pensamentos. Mas o relógio me chama para viver fora da mente, longe do papel.

Vou lá criar novas memórias triviais. Talvez eu ainda lembre delas daqui alguns anos...