quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015

Todo mundo costuma fazer um balanço do que se fez no ano. Eu também acabo sendo assim. Mas o fato é que os ciclos na nossa vida quase nunca seguem o calendário. 

Em janeiro realizei um grande desejo: fui para uma escola de missões da Jocum. Fui sozinha. Sem conhecer ninguém. Foi minha melhor opção. Cresci, lidei com algumas frescuras e com a timidez. Passei duas semanas dividindo quarto e banheiro com mais pessoas do que eu podia contar. Limpei banheiro, pintei a cara, aprendi a fazer portagem. Aprendi mais sobre servir as pessoas e conviver com diferenças. Respeitar diferenças. Aprendi que devo reavaliar o que faço em nome do que creio, e buscar constantemente entender a vontade daquele que eu sigo - que certamente não está esculpida nas paredes de uma religião.

No final de abril, fiz minha primeira viagem só com amigos. Viajei de avião pela primeira vez. Conheci a Pampulha e participei do ConfraJovem. 

Quando o ano passava da metade, fiz minha primeira cirurgia, de um dia para o outro, e pela primeira vez na vida pude enxergar bem sem a ajuda de lentes. Mas junto com o processo de recuperação vieram frustrações com planos. E outras frustrações. E outras. E o ano que parecia muito bom, começou a se tornar o ano que mais me faria doer, e me deixar sem saber o que fazer. Chorei, machuquei, me machuquei. Desisti e abandonei coisas, vontades. Até entender que, se eu pudesse levantar a cabeça e tomar decisões, eu poderia de uma vez por todas começar a amadurecer. Pena que isso eu só entendi agora.
No meio disso tudo, pessoas importantes de afastaram, outras se aproximaram. Pude ajudar amigos e abraçá-los forte, sem me preocupar com meus problemas enquanto cuidava deles. Chorei, dei risada, me apeguei mais, fortaleci laços. Me decepcionei. Briguei com Deus. Lutei para levantar da cama e encarar algumas verdades, me desorganizei, me comprometi com mais coisas do que conseguia dar conta e surtei algumas vezes. Hoje vejo uma lista gigante de pendências que não condizem nem um pouco com o que desejo ou busco fazer. A questão é: eu preciso de menos. E dizer menos "sim" (Sei que não sou a única a encontrar uma dificuldade gigantesca em parar com isso). E na mesma medida, preciso de organização com o meu tempo, e equilibrar o ponto onde  vale a pena me prejudicar por ajudar outra pessoa.

Resolvi escrever. Montei esse blog. Descobri que não sei nem metade do que achei que sabia. Tive a alegria de ver uma amiga querida se tornar mamãe e acompanhar todo o processo, mesmo que de longe, na maior parte do tempo. 

Hoje, nas últimas horas do ano, não consegui ainda concluir muitas pendências e nem sair do meu pequenos caos. Mas aprendi que as estações que passamos não respeitam nossos prazos. E o melhor é simplesmente aprender as coisas únicas que cada uma delas trazem. Mesmo que seja por meio de processos doloridos. Algo é certo: cada período pode nos proporcionar crescimento, e isso, sem dúvida, coopera para o nosso bem.

O ano acabou. Minha estação ainda não. Mas até que venha a próxima - respeitando e aproveitando cada tempo - que venham dias em que sejamos bons, sejamos melhores versões de nós. Não apenas no próximo ano, mas em todos os dias que ainda estiverem por vir.

Evangelismo de rua com a equipe 13 da EMF (Jocum)

ConfraJovem - Belo Horizonte
Tem muitas outras fotos. Mas elas podem ser vistas no meu instagram. Haha

domingo, 15 de novembro de 2015

Eu tenho medo

Às vezes. Bem lá no fundo. No fim de tarde nublado, às vezes tenho esperança, mas às vezes tenho medo. Medo de não me encontrar com os meus sonhos. Medo de impedir que alguém se encontre. Medo de ter pulado do barco e começado a nadar, mas a praia ter sido só uma miragem. Medo de um dia descer as escadas e a sala não estiver cheia de pessoas falantes, de crianças brincando, de cheiro de jantar. Mas enquanto verbalizo meu medo, algo em mim começa a rir. Algo que está mais no fundo do que a onda de gelo que atinge o peito. "Está por vir" - ela diz. - "Seja paciente. Aguente a noite escura. Porque a manhã está por vir."



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Caldo verde

           Hoje não tive aula na faculdade e decidi de aventurar na cozinha. Cada vez mais estou gostando das "coisas de dona de casa", entre elas, cozinhar!
           Depois de várias tentativas frustradas com bolos (que ainda acontecem, eventualmente), eu finalmente decidi pesquisar receitas, levar a cozinha com mais jeito e começar meus cadernos de receitas. Próximo passo: começar a cozinhar! Como gosto muito de sopas e caldos, decidi fazer meu primeiro, o caldo verde.

          O caldo verde é uma receita portuguesa, considerada umas das 7 maravilhas da gastronomia do país. Originalmente é feito com couve galega, mas pra ser sincera, eu nem conheço essa couve! Haha
Peguei uma receita no Tudo Gostoso e arrisquei mudar um pouco. Então, aí vai a receita do jeito que fiz.

Ingredientes:

- 8 batatas médias
- 6 folhas de couve manteiga
- 1 tablete de caldo de galinha
- 6 xícaras de água
- 1 Calabresa
- 1 pedaço pequeno de bacon
- Cebola e Sal a gosto

Preparo:

- Descasque e corte as batatas, depois coloque na panela de pressão com a água, uma pitada de sal e o caldo de galinha. Eu amassei e esfarelei o tablete para ele dissolver na água. Quando a panela de pressão começar a chiar, deixe cozinhando por 10 minutos.

- Depois de cozidas, bata as batatas no liquidificador com o caldo, depois coloque tudo de novo na penela.
       
- Numa frigideira sem óleo, coloque a calabresa e o bacon bem cortadinhos e deixe até dourar. Coloque na panela também, mas sem o óleo liberado pela calabresa e pelo bacon na fritura. Misture e deixe ferver sem a pressão por uns 2 minutos.

- Corte a couve bem fininha. Na mesma frigideira, usando o óleo da calabresa, acrescente cebola picada e refogue a couve.

- Quando desligar a panela, coloque a couve e misture.


Pronto!

 Uma opção que pensei também é adicionar a couve só na hora de servir, assim cada um coloca a quantidade que quiser. Dá pra bater a couve junto com as batatas; Nesse caso, o caldo fica bem verde e quase sem pedaços.

O resultado tá aí! E eu, super feliz por ter dado certo!

Primeiro caldo verde. Hahaha

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Seja gentil

Há um senhor que com frequência pega o mesmo ônibus que eu. Ele usa óculos escuros e uma muleta, e sempre confirma com alguém se está subindo no ônibus certo.

Um dia estávamos os dois sentados nos bancos do terminal quando o ônibus chegou. Ele perguntou se eu iria pegar o mesmo ônibus que ele.  "Posso pegar carona com você? Assim não preciso abrir minha muleta". Eu sorri e disse que sim. Ele segurou no meu braço e subimos no ônibus. No caminho ele me contou rapidamente parte da sua história. Ele teve um  problema sério que está fazendo com que ele perca a visão progressivamente. Nesse processo ele está se adaptando a nova realidade, e decidiu participar de um projeto para aprender a ler e escrever em braille. Ele mostrou um papel com o alfabeto, e também um livro sobre arte brasileira que ele estava começando a ler. E não só isso. Ele está fazendo um curso de informática para cegos. Independente, gosta de futebol e contou que pretende visitar a filha que mora na Espanha. "Meus netos só falam espanhol. Eles me ligam e contam tantas coisas, mas falam tão rápido que preciso pedir para minha filha contar tudo de novo." Contou ele sorrindo.
Mas para mim o que mais marcou nossa conversa foi quando ele me falou que enquanto lia um texto que descrevia a natureza, ele fechava os olhos e podia imaginar a cena. "Eu tenho o privilégio de saber como é, poder ter visto isso tudo. Já imaginou aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ver?"

Tenho certeza que ele está num processo muito difícil. Essa é uma grande perda. Fiquei pensando nas perdas mais silenciosas que as pessoas tem. Nem sempre perdas físicas. O fato é que olhamos as pessoas e muitas vezes esquecemos que assim como nós elas também tem uma história. Elas também tem suas próprias guerras.

Pouco depois ele se despediu e desceu do ônibus. Mas eu tirei duas lições dessa conversa:

- Diante de um problema, você pode se perguntar "porque comigo?" e se lamentar, ou pode se apegar a Deus, lembrar que você é o protagonista da sua história e fazer uma boa limonada com os limões que a vida te dá.

- "Cada pessoa está travando uma batalha da qual você não sabe nada a respeito. Seja gentil".
Assim como você busca compreensão das pessoas. Busque você também compreendê-las.

sábado, 31 de outubro de 2015

Pequena mulher

Fiquei um tempo pensando no que escrever além do clichê. Não sei se tive sucesso. Várias cenas passam pela minha cabeça, e talvez nem todas possam se refletir em um texto.
Você era minha boneca de verdade. A menina fofa pela qual eu acordava cedo para receber em casa nas segundas-feiras. E recebia com o coração aberto. Você era a criança mais linda do mundo pra mim. Mesmo com seus choros e algumas chatisses. Mesmo sendo nova também, passei a gostar mais da ideia de ter filhos quando eu brincava com você, te dava mamadeira, comida, banho, te dava meu tempo. Me apaixonei por você. O tempo passou, e claro, te fez crescer. Hoje você faz 15 anos. Eu não quero que você volte a ser pequena. Quero que você cresça e se torne uma menina amável, esforçada, disposta a aprender com Deus e com as pessoas como ser alguém melhor. Quero poder admirar sua jornada e te ver aproveitando cada fase da melhor forma que conseguir. Não espero te ver acertando o tempo inteiro, mas te ver aprendendo com seus erros. Quero também que (quem sabe?) nós duas possamos nos aproximar mais. Tornar nossa amizade forte.
Minha boneca tem se tornado uma linda garota, uma pequena mulher. Tempo e alguns quilômetros nos distanciam, mas você, Helô, é sempre a minha priminha. Te amei anos atrás. Te amo hoje. Quero te amar por muitos anos mais.
Feliz aniversário, princesa!
Helô e eu sentadas na porta da sala de casa, 7 anos atrás.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Sobre recombinar

O acaso nem sempre rege as coisas. Vez ou outra o propósito toma o leme e desvia o caminho, e se faz encontrar. Se combinar. Desde o início nossa amizade contribuiu pra esse meu pensamento. O começo nem sempre é tão claro. Vai ver é porque ele não é o principal. Numa escada antes da aula, numa conversa de corredor, na ajuda com a matéria. Nas mensagens pela internet, nos dias de falta e na falta de assunto. E por aí vai. Não precisamos de muito, mas foi preciso insistência. Paciência. De ambos os lados. Mas as palavras se soltaram, o sorriso, a risada, e daí a pouco já não se importava em ser quem é, com caras feias e bonitas. Se a amizade não precisa se complicar, a gente não complica. E se complicamos, descomplicamos (o que é complicadíssimo). E assim a gente vai compartilhando o tempo, dividindo os problemas, doando as críticas. Se lapidando. Se somando.

Mas também se sabe que relacionamento não é só poesia. Já senti raiva, inveja, decepção, vontade de não entender e não perdoar. Vontade de te deixar falando sozinho. De tomar a decisão mais fácil e também não pedir perdão, não me humilhar. Essas coisas que gente de carne e osso sente. Mas todos nós precisamos crescer, e pra isso se deve abrir mão do orgulho de chorar, de se arrepender, de falar e ouvir a verdade mesmo que faça doer. Se colocar no lugar do outro e não só sorrir, mas também chorar por e chorar junto. Não só crescer, mas entender o processo do outro. Respirar fundo. Orar. Segurar a onda. E a gente muda, se muda, cresce, amadurece. Abre mão, morre. Floresce. Se deixa ir para vir maior. Melhor.

E é assim que te deixo ir agora. E me deixo ir, não deixando de ficar. Nem de amar. E a gente se vai, mas fica. Se bagunça e reorganiza. Porque o tempo e o acaso não comanda, mas afeta a todos nós. Isso implica em se ajustar. Lidar com os prolemas, com a dor, e se recombinar. E o bom de se ter o que temos é saber que o mais bonito é o caminho, o processo, que podemos deixar ser conduzido por Aquele que vai nos levar não só a terminarmos bem, mas a vivermos bem. E é isso que eu quero.

" Se o acaso nos distanciar
E a sorte nos fechar a porta
Releve o que não importar
Vai, dê meia-volta e volta "

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A rua que eu moro

       Hoje eu vi uma cena que já não é tão comum. Estava limpando a casa quando escuto vozes infantis cantando "Suquinho gelado". Parei o que estava fazendo e abri a porta balcão do quarto. De cima do sobrado os vi. Meninos e meninas no canto da rua pulando corda. Me lembrei da minha própria infância, onde ninguém tinha computador ou celular. Tablet? Nem existia! Nossa vida era assistir os desenhos animados na hora do almoço e brincar em qualquer intervalo do dia em que não estivéssemos na escola. Podíamos não entender tanto sobre tecnologia, mas garanto que isso nos tornou saudáveis em muitos aspectos.
       E essas crianças estão sempre por aqui. Jogando futebol, inventando brincadeiras. Sempre juntos, aproveitando o dia até as mães chamarem para casa, ao anoitecer. Isso é realmente uma das coisas que mais gosto no bairro onde moro: ver crianças aproveitando a infância ao ar livre, interagindo com outras crianças. Sendo crianças. E não quero que isso se perca. Sou muito a favor das tecnologias, mas sou ainda mais a favor do equilíbrio. Quero que crianças possam usufruir das coisas de criança, que nós, quando crescemos, já não podemos com tanto tempo e liberdade. Eu não sinto falta da minha infância porque acredito que ela foi muito bem vivida. E acho que esse é o segredo para não se viver  desejando o que passou: aproveitar a fase que vivemos hoje. Cada uma dessas fases nos proporcionam coisas únicas, que podem ser muito bem aproveitados e virar boas lembranças para o resto das nossas vidas.
       Se eu pudesse voltar no tempo, acho que não voltaria. Mas se eu pudesse manter hábitos bons, em todas as ruas teriam crianças brincando, dando gargalhadas e aproveitando o tempo da melhor forma possível. E como canta a Marcela Taís, no vídeo abaixo: "se essa rua fosse minha não deixava ela mudar. Brincadeira todo dia, porque a vida não pode parar"!



domingo, 13 de setembro de 2015

Um blog pra quê?

Todo mundo tem rede social. Ou quase todo mundo, pelo menos. Cada uma acaba tendo um objetivo diferente. Seja compartilhar seu mundo em fotos, manter relacionamentos virtuais com os amigos ou bater papo furado. E e o blog, para que serve? Pode virar moda entre pré-adolescentes, mas o fato é que escrever faz muito bem. Um texto sobre antropologia que li na faculdade, fala que o escrever não é apenas uma forma de organizar os pensamentos, mas também de repensar e conversar consigo mesmo enquanto se escreve. Sem entrar em assuntos mais filosóficos, gosto de escrever porque, como todos já sabem, é assim que compartilhamos histórias. Traduzindo em palavras, colocando no papel. Ou em um blog. Por que não? Se cada pessoa é uma história ambulante, certamente alguém deve ler. Esse é um dos motivos dos relacionamentos em uma forma geral: compartilhar histórias.
Então, para mim essa será a funcionalidade desse espaço. Sou cristã, estudo Física, mas amo histórias. Aqui, então, vou contar a minha.