sábado, 31 de outubro de 2015

Pequena mulher

Fiquei um tempo pensando no que escrever além do clichê. Não sei se tive sucesso. Várias cenas passam pela minha cabeça, e talvez nem todas possam se refletir em um texto.
Você era minha boneca de verdade. A menina fofa pela qual eu acordava cedo para receber em casa nas segundas-feiras. E recebia com o coração aberto. Você era a criança mais linda do mundo pra mim. Mesmo com seus choros e algumas chatisses. Mesmo sendo nova também, passei a gostar mais da ideia de ter filhos quando eu brincava com você, te dava mamadeira, comida, banho, te dava meu tempo. Me apaixonei por você. O tempo passou, e claro, te fez crescer. Hoje você faz 15 anos. Eu não quero que você volte a ser pequena. Quero que você cresça e se torne uma menina amável, esforçada, disposta a aprender com Deus e com as pessoas como ser alguém melhor. Quero poder admirar sua jornada e te ver aproveitando cada fase da melhor forma que conseguir. Não espero te ver acertando o tempo inteiro, mas te ver aprendendo com seus erros. Quero também que (quem sabe?) nós duas possamos nos aproximar mais. Tornar nossa amizade forte.
Minha boneca tem se tornado uma linda garota, uma pequena mulher. Tempo e alguns quilômetros nos distanciam, mas você, Helô, é sempre a minha priminha. Te amei anos atrás. Te amo hoje. Quero te amar por muitos anos mais.
Feliz aniversário, princesa!
Helô e eu sentadas na porta da sala de casa, 7 anos atrás.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Sobre recombinar

O acaso nem sempre rege as coisas. Vez ou outra o propósito toma o leme e desvia o caminho, e se faz encontrar. Se combinar. Desde o início nossa amizade contribuiu pra esse meu pensamento. O começo nem sempre é tão claro. Vai ver é porque ele não é o principal. Numa escada antes da aula, numa conversa de corredor, na ajuda com a matéria. Nas mensagens pela internet, nos dias de falta e na falta de assunto. E por aí vai. Não precisamos de muito, mas foi preciso insistência. Paciência. De ambos os lados. Mas as palavras se soltaram, o sorriso, a risada, e daí a pouco já não se importava em ser quem é, com caras feias e bonitas. Se a amizade não precisa se complicar, a gente não complica. E se complicamos, descomplicamos (o que é complicadíssimo). E assim a gente vai compartilhando o tempo, dividindo os problemas, doando as críticas. Se lapidando. Se somando.

Mas também se sabe que relacionamento não é só poesia. Já senti raiva, inveja, decepção, vontade de não entender e não perdoar. Vontade de te deixar falando sozinho. De tomar a decisão mais fácil e também não pedir perdão, não me humilhar. Essas coisas que gente de carne e osso sente. Mas todos nós precisamos crescer, e pra isso se deve abrir mão do orgulho de chorar, de se arrepender, de falar e ouvir a verdade mesmo que faça doer. Se colocar no lugar do outro e não só sorrir, mas também chorar por e chorar junto. Não só crescer, mas entender o processo do outro. Respirar fundo. Orar. Segurar a onda. E a gente muda, se muda, cresce, amadurece. Abre mão, morre. Floresce. Se deixa ir para vir maior. Melhor.

E é assim que te deixo ir agora. E me deixo ir, não deixando de ficar. Nem de amar. E a gente se vai, mas fica. Se bagunça e reorganiza. Porque o tempo e o acaso não comanda, mas afeta a todos nós. Isso implica em se ajustar. Lidar com os prolemas, com a dor, e se recombinar. E o bom de se ter o que temos é saber que o mais bonito é o caminho, o processo, que podemos deixar ser conduzido por Aquele que vai nos levar não só a terminarmos bem, mas a vivermos bem. E é isso que eu quero.

" Se o acaso nos distanciar
E a sorte nos fechar a porta
Releve o que não importar
Vai, dê meia-volta e volta "