domingo, 15 de novembro de 2015

Eu tenho medo

Às vezes. Bem lá no fundo. No fim de tarde nublado, às vezes tenho esperança, mas às vezes tenho medo. Medo de não me encontrar com os meus sonhos. Medo de impedir que alguém se encontre. Medo de ter pulado do barco e começado a nadar, mas a praia ter sido só uma miragem. Medo de um dia descer as escadas e a sala não estiver cheia de pessoas falantes, de crianças brincando, de cheiro de jantar. Mas enquanto verbalizo meu medo, algo em mim começa a rir. Algo que está mais no fundo do que a onda de gelo que atinge o peito. "Está por vir" - ela diz. - "Seja paciente. Aguente a noite escura. Porque a manhã está por vir."



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Caldo verde

           Hoje não tive aula na faculdade e decidi de aventurar na cozinha. Cada vez mais estou gostando das "coisas de dona de casa", entre elas, cozinhar!
           Depois de várias tentativas frustradas com bolos (que ainda acontecem, eventualmente), eu finalmente decidi pesquisar receitas, levar a cozinha com mais jeito e começar meus cadernos de receitas. Próximo passo: começar a cozinhar! Como gosto muito de sopas e caldos, decidi fazer meu primeiro, o caldo verde.

          O caldo verde é uma receita portuguesa, considerada umas das 7 maravilhas da gastronomia do país. Originalmente é feito com couve galega, mas pra ser sincera, eu nem conheço essa couve! Haha
Peguei uma receita no Tudo Gostoso e arrisquei mudar um pouco. Então, aí vai a receita do jeito que fiz.

Ingredientes:

- 8 batatas médias
- 6 folhas de couve manteiga
- 1 tablete de caldo de galinha
- 6 xícaras de água
- 1 Calabresa
- 1 pedaço pequeno de bacon
- Cebola e Sal a gosto

Preparo:

- Descasque e corte as batatas, depois coloque na panela de pressão com a água, uma pitada de sal e o caldo de galinha. Eu amassei e esfarelei o tablete para ele dissolver na água. Quando a panela de pressão começar a chiar, deixe cozinhando por 10 minutos.

- Depois de cozidas, bata as batatas no liquidificador com o caldo, depois coloque tudo de novo na penela.
       
- Numa frigideira sem óleo, coloque a calabresa e o bacon bem cortadinhos e deixe até dourar. Coloque na panela também, mas sem o óleo liberado pela calabresa e pelo bacon na fritura. Misture e deixe ferver sem a pressão por uns 2 minutos.

- Corte a couve bem fininha. Na mesma frigideira, usando o óleo da calabresa, acrescente cebola picada e refogue a couve.

- Quando desligar a panela, coloque a couve e misture.


Pronto!

 Uma opção que pensei também é adicionar a couve só na hora de servir, assim cada um coloca a quantidade que quiser. Dá pra bater a couve junto com as batatas; Nesse caso, o caldo fica bem verde e quase sem pedaços.

O resultado tá aí! E eu, super feliz por ter dado certo!

Primeiro caldo verde. Hahaha

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Seja gentil

Há um senhor que com frequência pega o mesmo ônibus que eu. Ele usa óculos escuros e uma muleta, e sempre confirma com alguém se está subindo no ônibus certo.

Um dia estávamos os dois sentados nos bancos do terminal quando o ônibus chegou. Ele perguntou se eu iria pegar o mesmo ônibus que ele.  "Posso pegar carona com você? Assim não preciso abrir minha muleta". Eu sorri e disse que sim. Ele segurou no meu braço e subimos no ônibus. No caminho ele me contou rapidamente parte da sua história. Ele teve um  problema sério que está fazendo com que ele perca a visão progressivamente. Nesse processo ele está se adaptando a nova realidade, e decidiu participar de um projeto para aprender a ler e escrever em braille. Ele mostrou um papel com o alfabeto, e também um livro sobre arte brasileira que ele estava começando a ler. E não só isso. Ele está fazendo um curso de informática para cegos. Independente, gosta de futebol e contou que pretende visitar a filha que mora na Espanha. "Meus netos só falam espanhol. Eles me ligam e contam tantas coisas, mas falam tão rápido que preciso pedir para minha filha contar tudo de novo." Contou ele sorrindo.
Mas para mim o que mais marcou nossa conversa foi quando ele me falou que enquanto lia um texto que descrevia a natureza, ele fechava os olhos e podia imaginar a cena. "Eu tenho o privilégio de saber como é, poder ter visto isso tudo. Já imaginou aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ver?"

Tenho certeza que ele está num processo muito difícil. Essa é uma grande perda. Fiquei pensando nas perdas mais silenciosas que as pessoas tem. Nem sempre perdas físicas. O fato é que olhamos as pessoas e muitas vezes esquecemos que assim como nós elas também tem uma história. Elas também tem suas próprias guerras.

Pouco depois ele se despediu e desceu do ônibus. Mas eu tirei duas lições dessa conversa:

- Diante de um problema, você pode se perguntar "porque comigo?" e se lamentar, ou pode se apegar a Deus, lembrar que você é o protagonista da sua história e fazer uma boa limonada com os limões que a vida te dá.

- "Cada pessoa está travando uma batalha da qual você não sabe nada a respeito. Seja gentil".
Assim como você busca compreensão das pessoas. Busque você também compreendê-las.