sábado, 19 de novembro de 2016

O sentido

Temos dentro de nós um anseio por um sentido para nossa breve existência aqui. Queremos realizar grandes feitos. Queremos um caminho certo e um lugar seguro no qual poderíamos aportar depois de uma longa viagem. Mas nem sempre o caminho é claro. Nem sempre conseguimos nos guiar pelas estrelas. Nem sempre a bússola é suficiente. Entramos em mares estranhos, e por vezes nos encontramos à deriva. Mas isso não significa que não exista o porto do outro lado. Não significa que as estrelas não estejam apontando o caminho certo. Um homem disse uma vez que se alguém não descobriu uma razão pela qual morreria, então não está pronto para viver. Se cremos em um porto, no outro lado, no qual Ele nos espera, morrer em busca desse lugar vale a pena. E o caminho... ah, essa é a beleza do mar. Nem todos os barcos cruzam as mesmas águas ou são conduzidos pelos mesmos ventos, mas todos podem buscar o mesmo porto e desbravar os mares pelo caminho. Essa é a nossa esperança, e por ela, vale a pena içar as velas.



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Hoje

Hoje o dia mal começou, mas já queria que estivesse acabando. Já queria poder voltar para a cama e não precisar ver nada que o dia trouxer. Sentimento típico de quem não quer encarar as coisas do jeito que são e as consequências que elas trazem (Ou de quem só não aguenta mais fazer isso...).

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Seguindo em frente...

O fato é que a gente sobrevive a tudo, menos à nossa própria morte.

O tom parece jocoso, mas é verdade. Tive uma cadelinha chamada Laica. Meus pais a adotaram quando eu tinha pouco mais de um ano, e ela ficou com a gente até o final da vida dela. Eu, criança, costumava chorar só de pensar que um dia ela morreria: "Como vai ser minha vida sem ela? Ela está aqui desde que me entendo por gente!". Mas o fato é que a vida sempre aperta além do que a gente planeja. Quando eu tinha 12 anos meu avô, que na época morava comigo, faleceu. Três anos depois, a minha avó. E por fim, aos meus 17 anos, perdemos também a Laica. Me despedi dela um pouco antes, respirei fundo, chorei tudo o que queria. Três dias depois apresentei meu TCC na escola técnica. Saí, dei risada, fiz planos. Sobrevivi ao que, quando criança, parecia grande demais pra mim. Isso, porque a vida tratou de me trazer antes perdas piores que eu não esperava. Aos meus 21, foi a vez da minha outra avó ir embora. Um susto. Mais uma dor. E todos eles hoje compõem as lembranças que marejam meus olhos. Mas o fato é que continuei vivendo, e cultivando as boas memórias com eles.

Outras dores me alcançaram. Sentimentos não correspondidos, planos frustrados, amigos afastados, orgulho engolido, perdões muito difíceis, erros dolorosos, arrependimentos amargos. E a cada nova vez que eu falo e acredito que não vou conseguir sair nunca da tempestade, com o passar dos dias (ou dos anos...) o céu sempre se abre, e com ele, novos horizontes. Porque o fato é que as pessoas que amamos, nos apaixonamos, convivemos, os sonhos realizados ou frustrados, a carreira, o conforto ou qualquer outra coisa que possamos conquistar ou fazer, são motivos para voarmos, mas não são nossas asas. O que realmente nos move é aquela palavrinha pequena, que se esconde em cada coração humano: fé. Seja a que depositamos em um Deus ou vários deuses. No horóscopo, na ciência, na razão. Na vida, nas pessoas ou em nós mesmos. É aquele desejo fundo que nos faz humanos. É essa certeza de que tem algo a mais lá na frente, e que precisamos descobrir. E por ela (quem pode provar o contrário?) até a morte pode ser um ponto final, mas daqueles que terminam o capítulo, e não a história. Pois repito: A gente pode sobreviver a tudo.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

São José de Caiana, PB

Finalmente chegamos à São José de Caiana, cidade onde a Jocum exerce um trabalho há desde 2001.
A cidade é bem pequena, quase um vilarejo. Mas não se engane, é bem agitada à noite. Nos dividimos em casas das redondezas. As casas são simples, mas bem bonitinhas, de alvenaria. Mas aqui a água é racionada. Não se tem sempre. O banheiro fica do lado de fora e não tem água encanada (consequentemente, só tem água fria). Esse ainda é o centrinho da cidade. Mas ainda assim é menos precária do que imaginei.
Estou gostando daqui. Hoje à noite foi feito um culto na praça, com danças, momento infantil e arte circense. Foi muito bom poder orar e cantar ao ar livre. Chorei muito, e pude conversar bastante com Ele. Pedir perdão, forças, amor para amar. Sabedoria para absorver o melhor. Ser melhor. Muitas pessoas da cidade nos acompanharam, e algumas aceitaram o "apelo", fazendo oração de entrega. No final, sentamos com as crianças e oramos por elas. Fiquei com quatro delas, que deram as mãozinhas e também seguraram as minhas, repetindo a oração que eu fazia.
Foi um momento muito especial no primeiro dia aqui. Mas... amanhã começa o trabalho pesado. Nos dividiremos em grupos para levar mantimentos, roupas e remédios para as comunidades mais afastadas e carentes. Vamos ver o que nos aguarda, e tentar viver de todo o coração, seja lá o que vier.
P.S.: Falaram que fazia calor de dia e frio de noite. Acho que nos enganaram....

sábado, 16 de julho de 2016

Salinas, MG

Chegamos em Salinas pela manhã. A paisagem já mudou. As cores secas do serrado agora enchem as janelas.
Tomamos café em uma parada com um preço bem menos absurdo do que o da primeira.
Agora seguimos para o nordeste. O verde está ficando mais escasso. Há muitos vales rasos e alguns pássaros em vôos isolados.

E no ônibus, um toque gostoso de violão:
"Eu te busco, 
Te procuro, oh Deus
No silencio tu estás"

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Contagem, MG

Chegamos por volta das 6 horas da manhã à base da Jocum em Contagem, onde pudemos realmente dormir e descansar depois de virar a noite no ônibus.
É um lugar bem diferente do que imaginei. Um sítio enorme, cheio de  pequenas estadias. Cada uma cheia de quartos num estilo bem de sítio. Bem gostoso. Dividi o quarto com a colega de campinas que viajou comigo. No quarto, uma janela lateral com cortina branca de renda. Uma graça! O lugar é dividido por países. Cada missionário (ou família) fica no prédio correspondente ao país em que irá trabalhar.

Aqui é cheio de árvores. De crianças. Tem gatos e até um macaquinho apareceu por aqui.

Corpo descansado, banho tomado, malas arrumadas. E em breve, mais uma noite na estrada.

Primeiro dia

Hoje é o primeiro dia de uma viagem que faço ao sertão da Paraíba. Eu e mais dois jovens que conheci hoje estamos no ônibus à caminho de Contagem, onde nos encontraremos com a equipe da Jocum que nos levará à São José da Caiana.
Várias coisas já passaram pela cabeça. Medo, vontade de voltar pra casa e aquele pensamento: "menina, cê tá robada. Vai ser mais difícil do que cê pensa!". Mas a questão é: Como vou saber se eu não for? Além desse mas, já tá tudo acertado. haha
E aqui sigo eu, no primeiro dia de uma viagem missionária para um lugar que há muito eu sonhava. Viajo com desconhecidos, pessoas que acabo de conhecer. Mas também com a companhia virtual de amigos, da família, e sob os olhos dAquele por quem resolvi me meter nessas estradas.
O que eu espero? Crescimento. Vou lá aprender mais sobre amar.

Com aquele frio na espinha, claro.

P.S. queria que meus olhos tirassem fotos, para registrar o quão bonito está o céu estrelado que vejo pela janela do ônibus...

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sábio foi Neemias...

Que tal menos orgulho em ser gay, hétero, cristão, budista, ateu, mulher, homem [...] e mais orgulho em sermos pessoas? Que tal respeitarmos mais, independente da sexualidade ou religião da pessoa ser minoria ou predominante? Que tal amarmos mais em vez de tanto lutar contra os que não amam? Sábio foi Neemias, que em vez de discutir com os que queriam, foi lá, amou e trabalhou pelo povo.

Vivendo, lendo e aprendendo. Fui lá amar. E não pretendo voltar...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sobre folhas e árvores

"Quando chega o outono e os dias começam a ficar mais curtos, a natureza está sinalizando às árvores que chegou o momento de modificar algumas de suas características". Com menos luz solar, a primeira coisa a ser afetada é a produção de clorofila. As folhas ficam amareladas. A árvore então começa a produzir ácido abscísico, que se acumula na haste das folhas e mata as células daquela região. As folhas começam a secar até, finalmente, caírem. Isso tudo faz parte de uma estratégia natural das árvores para sobreviverem ao frio. Eliminando as folhas, o gasto de energia é reduzido.

Não tem jeito, chega um momento em que as folhas caem. É necessário que isso aconteça para que a árvore inteira não padeça. Mas como toda a estação tem um fim, quando vierem dias mais favoráveis, novas folhas verdes e frondosas nascerão.
As árvores ensinam que é preciso deixar ir. "Livrar-se" de algumas coisas é essencial para suportar os dias difíceis. Em certas horas deixar algo partir não é apenas sobrevivência, é também sabedoria.

C. S. Lewis e meus pensamentos da madrugada

"Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo é capaz de satisfazer, a explicação mais provável é que eu não fui feito para este lugar." Lewis disse isso em seu livro Cristianismo Puro e Simples. A verdade é que somos todos aprendizes. Estamos todos confinados, por hora, sob uma cúpula onde os momentos de dor parecem eternos e os de alegria, fugazes. Quem já passou uma tarde com uma pessoa amada e as horas pareceram poucos minutos? Ou sofreram rejeições, e as noites de choro pareceram durar anos? Mas se somos aprendizes, devemos saber que essa escola é apenas uma preparação para algo maior, que realmente podemos chamar de Vida. É só nela que podemos de fato e por completo saciar nossos anseios. É preciso ser intenso, mas também saber medir o quanto de nós podemos doar a cada sentimento, em cada situação. O que não nos faz crescer nem sorrir, precisa ter prazo para acabar. Mas o que nos faz experimentar o sabor dessa Vida, deve ser nutrido. Buscado. Porque nesses momentos vemos, como que por um espelho, o lugar ao qual pertencemos, até que possamos vê-lo face a face. Nesses momentos, entendemos quem somos. E somos quem somos - somos infinitos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Mais

Gosto de olhar o céu à noite. O teto sobre as nossas cabeças às vezes nos faz esquecer da imensidão dele. Acho que ninguém nasceu para ter algo tão limitado sobre a cabeça o tempo todo. Precisamos de mais. Somo mais...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Detalhes

Duas semanas atrás o clima estava bem mais fresco. Bastante sol e ventando muito. Eu acordei e fui para a futura mini varanda do meu quarto. Agradeci a Deus por mais um dia e fiquei sentindo o vento e olhando o céu. Eu estava tomando remédio e me recuperando de uma inflamação na garganta, além de estar sentindo vários mal estares que me fizeram passar o mês de janeiro quase inteiro sem sair de casa, e isso estava me deixando muito entediada. Mas olhar a paisagem lá fora fazia eu me sentir tão bem... Peguei meu celular e decidi então tirar fotos dos pequenos detalhes que eu podia ver daqui de casa ao longo do dia. Detalhes que nem sempre a gente enxerga, mas que estão lá; embelezando nossos dias.

Vista da varandinha do quarto

Bagunçadas do céu!

Da janela da escada

Luz do Sol atravessando as folhas do pé de pinha que tem no fundo do nosso quintal

Árvore da casa de frente à minha

Na calçada de uma vizinha

Essa vizinha gosta muito de flores...

Anoitecer visto da varanda

Nuvem rosa...

Só é uma pena eu não ter uma câmera boa o suficiente para fotografar os pássaros ou os gatos nos telhados dos vizinhos...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Vontade de gritar

Todo mundo tem. Porque chega uma hora que a questão não é raiva, ressentimento ou tristeza. É saturação. E é assim que eu me sinto exatamente agora. Completamente saturada. Saturada da minha inconstância e fraqueza, inclusive. Eu preciso de ajuda. Agora.



 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

17 de janeiro

Ontem recebi a mensagem de um amigo com um link para um vídeo. Falava sobre entrega, sobre contemplar a Deus e reconhecê-lo como seu dono. Essas palavras parecem se exprimir de maneira vaga em alguns momentos. Entre pensamentos e orações, neste domingo, nas primeiras horas do dia, pensei em como elas se refletiriam em mim, hoje. Como seria essa entrega agora, nestes dias, para mim. Logo uma frase me veio à mente: "Eu olhei a tristeza nos olhos e sorri". Acho que entrega não é apenas aquilo que damos diretamente "ao reino" ou em obediência à uma doutrina, mas também aquilo que exprimimos diante das diferentes situações que se apresentam à nós. Não acredito em um Deus que nos fará imunes aos problemas e a dor, mas acredito em um Deus que caminha conosco independente delas. Um Deus que se fez homem e enfrentou Ele mesmo problemas e dor.  E em meio a tudo isso, se doou à nós. E se alegrou. Se alegrar e em momentos tristes não é uma forma de se esconder, mas é uma reação à certeza daquilo que está por vir, ainda que não possamos ver e nem exista algo que nos leve a essa esperança. Certeza que os nossos dias, assim como nossa fé, estão nas mãos de alguém em quem podemos confiar. A frase que me veio à mente é de uma música chamada 17 de janeiro. Olha só... a data de hoje. Que em cada estação eu aprenda a sorrir. E que na dor, nasça o melhor de mim.



sábado, 2 de janeiro de 2016

Esperar

Sempre gostei de frio. Inverno e outono são minhas estações favoritas. Nesses dias de clima bagunçado tem  chovido bastante aqui, e à noite, deixando a porta balcão do quarto aberta, dá pra sentir um ventinho úmido e gelado. Eu sempre sento aqui perto da porta e fico olhando para o céu e pensando, refletindo. Imaginei como seria o frio em Vancouver, um lugar que tenho o sonho de conhecer. Na verdade, tenho o sonho de me aventurar em vários lugares hahaha, mas como quase todo mundo, não nasci numa família que pode me dar tudo, e até eu conseguir realizar alguns sonhos vai um longo processo. Eu confesso que demorei bastante e ainda me confundo com a combinação de esperar e agir ao mesmo tempo. Entender o que se pode fazer por hora sem desespero, mas sabendo que o que se faz hoje é uma fase importante para a próxima, e assim por diante. 
Aqui sentada, vejo algumas das casas do meu bairro, que por ser relativamente novo, ainda estão como a minha, em processo de construção. Ainda falta muita coisa para ficar prontinha, do jeito que gostaria, mas ao longo do tempo (que no caso já são anos) dá pra ver o quanto já avançamos na construção, e como o bairro está ficando melhor! Jesus disse uma vez que nossa vida é como uma casa e devemos construí-la sobre a rocha. Isso com certeza dá trabalho e exige tempo, esforço e paciência. Mas com isso, nossa vida, assim como uma casa, um dia chega lá - àquela etapa onde a gente pode olhar com orgulho e dizer que o trabalhão valeu a pena! E, é claro, ficar atento aos reparos necessários com o tempo. 
Por enquanto, vejo que ainda é preciso esforço e paciência por um bom tempo - tanto para a minha casa quanto para minha vida. E enquanto isso, vou aprendendo a esperar.