quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Nunca é fácil se expôr. Organizar em palavras claras o que se esconde. Não é fácil se mostrar vulnerável. Ponderar os pontos fortes e fracos.
Há algum tempo falo sobre entrega, mas nada falei sobre o que entrego.
Sempre tive muitos sonhos. Servir a Deus, viajar neste serviço, conhecer lugares, estudar e ter independência. Mas também sempre sonhei em construir minha família. Mas não apenas uma família, e sim uma família que refletisse a graça de Jesus. Que fosse dEle.
Neste caminho, claro, haviam pedras.

Tive um relacionamento longo, mas cheio de idas e voltas, de incertezas. Haviam sentimentos, mas nossos pés caminhavam em sentidos opostos. Princípios diferentes. Lutas incompatíveis nas quais eu insistia. Descobri em mim mesma faces feias que nem sabia que tinha. Faces egoístas, grosseiras, amargas. Tive posturas ruins. Abri mão de desejos e também tentei impor outros. Mas eu havia feito uma declaração: meu amor por Jesus era maior do que meu amor por qualquer outro. Isso não implica tratar mal quem não concorda comigo, ou qualquer outra coisa negativa que alguém possa associar a essa fala. O amor não é o desejo de se ter inteiramente para si, mas de se ver feliz, ainda que não venha a ser segundo aquilo que desejamos.

E assim foi. A decisão de abrir mão de algo muito precioso, por amor aos planos que sei que Deus tem pra mim, e que são diferentes daqueles que o rapaz com o qual eu estava tinha. Foi uma decisão muito difícil, muito doída. Mas era o caminho para eu me permitir ser quem quero, e permitir que ele fosse quem queria. Sem minhas cobranças. Sem pesos que eu mesma colocava. Sem o sentimento de insuficiência que tanto me atormentavam, me feriam. 
E nesse processo de reafirmação do que eu sou, houveram muitas dúvidas, medos e noites frias. Horas agarrada ao travesseiro, lágrimas e pensamentos que martelavam até a dor do coração se tornar falta de ar, de chão. Me escondia do mundo, e me quebrava diante do meu criador. Reclamava. Tentava negociar. Até me render. 

Já faz um ano desde que escolhi, de uma vez por todas, deixar ir. E dia após dia, deixar ir a mochila pesada que tanto carreguei, até que fique só a amizade que já fez tão bem. Houveram muitas feridas que exigiram meu perdão. E também outras pelas quais eu precisei pedir perdão. Porque toda história tem dois lados. E é justamente por isso que guardei tantas coisas em meu coração, em vez de desabafar. Não é feio ter uma amizade com alguém com o qual o relacionamento não deu certo. Mas é péssimo falar mal de alguém que um dia já te fez bem, já quis te ver feliz. 

E gostaria de dizer que, se você também está em um dilema assim, não se apavore. Com o tempo as coisas vão ficar mais leves. Menos doídas. Mesmo que sua decisão seja incompreendida ou mal interpretada, saiba que nunca é certo fazer o outro ser o que não quer só para caber em um relacionamento com você. Isso é egoísmo e não podemos submeter ninguém a algo assim. Da mesma forma, não é certo abrir mão de tudo o que quer ser para caber na vida do outro. Se você quer viver por um propósito, não abra mão disso. E faça sem condenar o outro lado, porque o certo e o errado não estão na nossa opinião. E tenha certeza - o digo por experiência própria - que esse processo poderá te amadurecer em muitos aspectos.

Agora, oro para que Cristo possa curá-lo e fazê-lo feliz nas escolhas que ele toma. Nos caminhos divegentes aos meus, que encontre a multiforme graça daquele cujos caminhos são mais altos que qualquer outro que possamos escolher. E que seja grande, como o carinho e o aprendizado que ficou. E que eu possa vê-lo leve, assim como leve eu quero caminhar.

E é assim que sigo. Um passo de cada vez. Mudando uma coisa de cada vez. Me guiando pelos passos de alguém que já venceu o mundo inteiro, e agora caminha comigo. Aprendendo dia após dia sobre a suficiência que ele me dá, e no poder de quebrar e refazer meu coração, até que eu seja quem fui criada para ser.

E sei: o meu caminho com Cristo não tem mais volta. Eu não vou mais desistir. E enquanto ninguém me acompanhar nele, sei que Cristo continuará sendo suficiente, e continuará completando todas as coisas, em toda e qualquer circunstância (Efésios 1:23).

Um comentário:

  1. Que o ano de 2020 lhe traga dias cheios de harmonia, amor e saúde para si e para todos os que ama.
    Beijo.

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