terça-feira, 28 de agosto de 2018

Sobre chuva e algumas memórias

E choveu. Por uma semana. Refrescou o ar, a terra e os nossos pulmões.
Tivemos mais alguns dias de Sol e agora o céu alterna entre dias nublados e ensolarados. Frio e calor. Chuva e estio. Nessa oscilação, estou gripada pela segunda vez. Mas do clima, não dá para reclamar.
Hoje faz um sol bonito lá fora, mas minha cabeça viaja para um dia mais cinza.

Sentada na cama enquanto pensava na vida e corrigia um texto para uma amiga, me lembrei de uma cena. Eu estava no carro de alguém, na cidade onde morei até meus 18 anos, mas na cena, acho que eu tinha uns 12. Lembro do carro parado em uma rua perto da casa da minha tia. Provavelmente eu estava de carona após participar de algum almoço em família ou algo assim. Mas meus olhos observavam uma casa. Era um sobrado um pouco inacabado, aparentemente abandonado. Haviam ramificações em suas paredes e o telhado estava escuro. O quintal, coberto por um mato curto. Eu fiquei ali observando aquela casa bonita e vazia. Sem muito esforço, ela poderia ser um lugar aconchegante. Mas naquele momento, era só ela. Entre as plantas, mas sozinha. Sendo observada por uma menina através do vidro de um carro. Naquele dia caía uma chuva leve e constante, o que dava uma certa calma à solidão daquela casa. Hoje, por algum motivo, me vi assim. Com uma serenidade um tanto solitária. Ou uma solidão serena, não sou muito boa com definições.

Respiro fundo, enchendo os pulmões de ar. Um gole de água para tentar amenizar a rouquidão, e minha memória passa a caminhar em outras cenas, outras cores.
É engraçado como momentos tão simples, aparentemente esquecidos, estão arraigados a sentimentos peculiares. E basta esses sentimentos permearem de novo o coração para a mente nos lembrar desses curtos e reflexivos minutos da nossa história.
Não sei qual o nome daquela rua, mas sei que eu lembraria daquela casa se a visse de novo. Talvez hoje, observando a casa, eu me veja. Uma casa sozinha em construção. Uma chuva leve. Um pouco de silêncio.
Mas agora, registro aqui essa memória. Guardo no bolso essa tal solidão serena (ou serenidade solitária, não sei), e volto o pensamento para o presente. O dia que já se torna amarelado pelo Sol que em breve começa a descer. Amarro o cabelo, arregaço as mangas. O que falta em ânimo sobra em pensamentos. Mas o relógio me chama para viver fora da mente, longe do papel.

Vou lá criar novas memórias triviais. Talvez eu ainda lembre delas daqui alguns anos...

2 comentários:

  1. Memórias que saltam de dentro de nós...Libertá-las, escrevendo, mas viver o presente, o hoje, o agora é preciso! Elas ficam lá e mais tarde se juntaram às que hoje são vividas! bjs, chica e tudo de bom!

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