Estou ao lado da porta balcão do meu quarto, sentada no chão, sobre o tapete e sentindo o vento frio que vem lá de fora. O céu denso e cinzento. Já é noite.
A atmosfera é um cenário caótico. Nos últimos dias todos os noticiários falam do furacão à costa da Flórida. Medo, preces. O tempo meteorológico é intimamente ligado ao caos. Às pequenas alterações que podem causar resultados completamente diferentes, nem sempre previsíveis a longo prazo, mas possíveis de acompanhar. E nessa infinidade de instantes finitos, muita coisa que não imaginamos pode acontecer.
Houve um tempo (quando tinha por volta de seis anos) em que fui aversa às palavras escritas. Mas foi justamente o tempo que me fez entender que elas davam corpo às minhas ideias. Às diversas fantasias, sentimentos e imaginações que me acompanham desde que me reconheço. Quando me sentia exclusa, não pertencente ou sentia que não havia espaço para me expressar, elas estavam lá. Minha mente passava a discorrer através delas a minha forma de ver o mundo. Escrevia, desenhava, me expressava para mim mesma. Lembro até hoje o quanto chorei para conseguir aprender as primeiras frases, até que elas se tornassem a correnteza que faz meus pensamentos fluírem para além do abstrato. O tempo. Mostrou que o meu caos com a escrita poderia ser o caminho para a organização do meu mundo.
Mais uma vez o vento balança as folhas do meu pé de graviola lá no quintal, e meus pensamentos. Me lembro das muitas vezes em que escrevo e as pessoas leem. Me falam. Sentem-se abraçadas ou incentivadas. Meu caos e tempo, se tornam úteis.
Hoje me senti um pouco perdida. Falei para Deus:" O que posso fazer hoje? Agora?" E senti em meu coração: "Volta com o blog. Eu quero que você compartilhe tudo o que tem, inclusive sua forma de ver a vida." E quero ser obediente em tudo. Até naquilo que me custa pouco.
Confesso que muitas vezes me sinto pequena diante da vida, das pessoas. Sinto que minhas falhas me engolem de forma que nenhuma palavra minha poderia me dignificar. Mas ter coragem pra colocar as ideias no mundo, apesar de mim mesma, é também um passo no caminho da maturidade. Da obediência ao Deus que me ama, me perdoa, e me ensina a estender seu amor aos outros também. Ser adulto é saber pedir perdão e mudar, mas também é conviver com uma boa dose de culpa por aquilo que já foi feito e não pode ser mudado. Porque o tempo não volta. Se já me desculpei com quem preciso, desculpo-me também comigo. E ambas as coisas custam. Mas o tempo continua. Sim, mais uma vez o tempo. O tempo cronológico que também se liga intimamente ao caos. Que começa novos cenários imprevisíveis. Que recomeça onde parecia ter tido um fim.
Que não me falte tempo nem palavras para tornar todos os caos da vida em boas histórias, ou poesia.
E aqui mais uma vez me dou tempo e espaço, para colocar no mundo não as minhas palavras, mas o universo que elas expressam. Porque elas são o meio. O fim, caro leitor, é você. Porque minhas ideias, minhas visões de mundo e tudo o que carrego ou desejo construir, só faz sentido quando compartilhado.
Tenho um mundo de livros que escrevo e guardo para mim. De crônicas, de sentimentos. De ideias para embelezar essa vida. Talvez nem todas com utilidade, mas, talvez, dignas do seu tempo de leitura. Decidi tomar coragem e colocá-los no mundo.
Minha cabeça já fervilha em um ritmo que meus dedos não conseguem acompanhar para escrever. Mas com tempo (olha ele aí de novo...) o faço. E quem interessar, vem me acompanhar nessa rede social impopular!
Um abraço pra você!
Muito bom!Parabéns!
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