Mas hoje também olho para trás com mais carinho comigo mesma, porque sei que tudo o que fiz, fiz com um coração puro. Nunca tive a intenção de machucar ninguém, pelo contrário. Fiz estragos sempre na ânsia de ser leal ao que acreditava ser o melhor.
Hoje, passando dos 30, já fico contente por estar pronta pra um bocado de coisas. Por ter disposição em aprender, por já conseguir lidar com realidades difíceis sem deixar de achar a vida tão bonita.
Ontem chorei bastante. Ainda tem muita coisa que dói. E sei que a vida sempre vai trazer algo pra doer. Mas é bom ver que agora, mais do que boas intenções e um coração cheio de carinho e imaturidade, tenho oportunidades concretas de ser relevante para as pessoas. De contribuir um pouco mais com situações, conversas, pessoas que chegam até mim, e quem sabe com a sociedade em geral. Fico feliz de estar (enfim, aleluia! Hahaha) conscientemente pronta aceitar oportunidades grandes sabendo que dou conta, pra dividir a vida com o cara que chegar, construir uma família com alicerces grandes, e gerar e adotar filhos para serem boas pessoas pra esse mundo. Para serem agentes de mudança para outros, e dando o exemplo para que entendam que nascer ou construir privilégios nos dão uma doce responsabilidade de usufruirmos sem culpa, mas cuidarmos e ajudarmos os que não tiveram as mesmas oportunidades.
Ainda estou aprendendo sobre ter mais confiança em Deus e também disciplina. Afinal, quando eu estiver casada e com filhos, o que mais vou precisar é de disciplina para desempenhar com leveza um bom papel com as preciosas responsabilidades que terei.
Fico contente também em saber dizer não e estabelecer melhor meus limites e valores, e ver as pessoas reconhecendo isso em mim. Fico contente por conseguir dizer não (apesar às vezes ainda ficar me sentindo culpada). Feliz de não ser mais tão movida por emoções, embora ainda tenha um coração extremamente sensível e chorão. Feliz por não ter as inseguranças que eu tinha. Feliz por conseguir ter um coração bem aberto pras pessoas que voltam e que ainda virão. Feliz por ouvir da dermatologista que ainda não preciso de botox hahahah
E feliz por que mesmo nos meus limites emocionais, como nesses dias, passou-se o tempo de reclamar. Afinal, para quem vou reclamar? Sou eu quem preciso fazer algo sobre e construir uma história que seja boa de se contar.
Então vou lá treinar com preguiça, como todo dia. Porque meu corpo, assim como minha vida e meu propósito para esse mundo, é responsabilidade só minha.
Em 8 meses faço 34. E fico pensando se eu estivesse no início de uma gestação. E enquanto ainda não gesto uma vidinha em meu corpo, me disponho a gerar a mim mesma uma mulher um pouco melhor até lá.
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